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sábado, 8 de janeiro de 2011

“Demons and Wizards”, Uriah Heep

"Discos que você precisa ouvir em vinil": Uriah Heep, Demons And Wizards (1972)

As vésperas do fim de 2010 postei aqui no blog um texto falando do vinil. Anunciei na oportunidade a inauguração de um seção para falar de alguns LP´s que merecem ser ouvidos no formato. Com direito a virar o lado e tudo o mais. Depois postei outro texto em homenagem a David Byron, um dos grandes cantores do rock em todos os tempos, mas infelizmente desconhecido da maioria.

Dia desses inclusive, comentei com meu irmão, já que virou rotina a realização de shows de artistas da velha guarda do rock em Porto Alegre e no Brasil, como seria legal se o velho Byron estivesse entre nós e pudesse nos presentear com uma apresentação solo, hoje com seus sessenta e uns em terra brasilis. Infelizmente, esta hipótese não passa de um sonho impossível. Byron partiu deste mundo aos 38 anos em 1985, já debilitado pelos excessos com o álcool.

Da discografia do Heep com David nos vocais, confesso ser difícil escolher alguma especial, principalmente para inaugurar uma seção cuidadosamente batizada como “discos que você precisa ouvir em vinil”. A exceção do Return to Fantasy de 1975, do primeiro, Very Eavy...Very Umble de 1969, e do Magicians Birthday de 1972 ouvi os outros quatro lançados pela banda com Byron nos vocais no velho toca discos do meu pai. Optei pelo Demons and Wizards, 1972, não por ser meu preferido ou por considerá-lo o melhor dos discos do Heep.

Sempre tive um apreço diferenciado pelo High and Might, 1976, último com David. Misty Eyes e Weep in Silence são músicas que parecem ganhar vida própria quando tocadas em LP. Look at Yourself tem July Morning e seus 11 minutos, Sweet Freedom, Stealin, Magicians Birthday, Sunrise, Salisbury, Lady in Black. Afora isso, sempre me perguntei como soaria Your Turn to Remenber do Return to Fantasy quando tocada numa pick-up de vinil. Difícil escolher.

Demons and Wizards nasceu quando o Heep estava no auge de sua capacidade criativa. Lee Kerslake (posteriormente viria a gravar com Ozzy Osbourne o álbum Blizzard of Ozz) e Gary Thain, bateria e baixo respectivamente, consolidavam-se na banda, tornando o grupo uma muralha de peso, melodia e, algumas doses de ousadia. Byron vivia um momento especial, cantando com maestria. As vozes dobradas ao longo deste LP são um primor. Ken Hensley e Mick Box acertaram a mão em composições irreprensíveis que pouco depois se tornariam hits, algumas delas, obrigatórias nos shows da banda até hoje, vide “The Wizard” e “Easy Livin”.

Hensley, Box, Thain, Byron e Kerslake

Lado A
 “The Wizard”, faixa de abertura, a propósito é uma pequena obra de arte. Letra e música. É o abre-alas da banda abordando  temática fantasiosa em suas letras. Fez escola. Blind Guardian, Gamma Ray e outros que o digam. A canção beira os 3 minutos e ainda assim apresenta momentos instrumentais distintos, ora acústico, ora progressivo, ora épico. As vozes de David Byron esbanjam técnica e um apuro refinado, o que acaba sendo a tônica em todo disco. A progressiva “Traveller in time” e a meteórica “Easy Livin” quase tiram faíscas da agulha.

Baixo e bateria fazem a cama para as cirúrgicas intervenções de teclado e guitarra. Impossível ficar indiferente à “Circle of Hands”, última do Lado A. Em seus 6’29” a canção flerta com o progressivo e com aquele hardão setentista de bandas como Deep Purple, Thin Lizzy e Grand Funk Railroad. O solo é um presente de Mick Box.

Lado B
O Lado B não possui tanta pompa, tampouco tantos clássicos. “Rainbow Demon” é arrastada com refrão marcante e teclados no melhor estilo John Lord.  “All my life” outra com menos de 3 minutos no disco é marcada por uma introdução quebrada típica das bandas de rock na década de 70, solos em profusão e um David Byron contido, só até o refrão. Ai vira festa, e das boas.

O grand finale do LP fica a cargo da dobradinha “Paradise” e “The Spell”.  A primeira é uma quase balada onde, novamente, Byron é o centro das atenções. A variação nas notas e a facilidade como canta, por pouco não faz passar batido a belíssima cozinha feita por bateria, baixo e teclado. Um primor.

A segunda, um rockão de primeira grandeza. Como um apanhado de tudo que a banda apresentou ao longo do disco: passagens instrumentais beirando o progressivo, “porradas” no melhor jeitão setentista e uma variação de vocais do jeito que só David Byron sabia fazer. O solo é de uma beleza pura, quase ingênua. O linha de teclado de Hensley emocionante. Quando não se espera mais nada, Gary Thain aparece por trás da densa camada instrumental com uma levada de baixo desconcertante. Épico. Apoteótico. Obrigatório.

Uriah Heep – Demons and Wizards
Lado A
The Wizard
Traveller in Time
Easy Livin’
Poet´s Justice
Circle of Hands

Lado B
Rainbow Demon
All My Life
Paradise
The Spell

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

O bom e velho vinil ainda vive

Em Porto Alegre, Feira do Vinil vai até a sexta-feira, 31 de dezembro

O chiado do vinil é incomparável. Só quem teve o prazer de colocar um disco pra tocar em uma vitrola pode entender. Não fosse o fato dos velhos long plays terem se tornado obsoletos, em muito, por culpa de cada um de nós que simplesmente deixamos a avalanche tecnológica tomar conta de tudo que nos cerca, talvez nossa relação com esses fidalgos da música fosse mais amistosa.

Os velhos bolachões não foram páreo para os cds, que por sua vez foram achincalhados pelo formato digital. O vinil se tornou cult. Quem os tem, o faz por amor. Com o adendo de algumas generosas doses de loucura, mas em geral, por amor. Um culto cego a estes objetos pouco usuais e que não tem espaço em 99,9% das salas de estar do planeta.

A exceção de edições especiais em quantidade reduzida e algumas bandas da nova geração que se permitem o direito de ousar a ponto de lançar EP´s e singles nesse formato, os discos de vinil padecem escondidos em recantos somente freqüentados por colecionadores. Em Porto Alegre, até a sexta-feira, derradeiro dia de 2010, acontecesse no Mercado Público a já tradicional feira do vinil, desta feita com 25 mil títulos.

Os preços para os interessados em incrementar suas coleções variam de R$ 7 a R$ 10 reais e o horário para visitação é de 9h às 19h. Vou arrumar uma horinha na agenda pois tenho uma listinha de discos que preciso ter em vinil. Talvez seja esta a oportunidade.

Em tempo, informo que em breve o @apto43_rock vai dar início a uma séria intitulada como “discos que precisamos ouvir em vinil”. Sabe aquele chiadinho único que só os LP´s possuem, pois é, alguns discos soam ainda melhores com eles, vai entender. Deve ser pelo fato de terem um lado A e um lado B.